Muita gente pode nem saber, mas o dinheiro pago
ao Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via
Terrestre (DPVAT) financia não só os atendimentos médicos a acidentados,
como também a emissão dos bilhetes do Certificado de Registro de
Veículo (CRV) e Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo
(CRLV). De janeiro a outubro deste ano, foram pagos e processados, no
Ceará, 1.652.507 bilhetes do DPVAT, conforme a Seguradora Líder, que
gerencia o serviço. Contudo, a partir do ano que vem, permanece a
indefinição sobre quem será responsável pelo fornecimento dos bilhetes.
Isso porque o Seguro, instituído em 1974, foi extinto por meio de uma
Medida Provisória do Governo Federal, no último dia 11 de novembro. A
mudança tem força de lei a partir de sua edição. A União alega "a baixa
eficiência desse instrumento, além de casos de fraudes, problemas com
órgãos de controle e altos índices de reclamação".
As mudanças entraram em vigor na data da publicação no Diário Oficial
da União; contudo, devem ser aprovadas pelo Congresso Nacional até 120
dias depois. Fora do prazo estipulado, pode perder a validade.
Comissão Mista
O Congresso anunciou a criação de uma "Comissão Mista" para analisar a
medida enviada pelo Governo Federal. O relatório aprovado será votado
posteriormente nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, ainda
sem data definida.
A média de processamentos do seguro no Ceará é de 165,2 mil
documentos por mês, ou cerca de 5,4 mil por dia. Em todo o ano de 2018,
foram processados 1.812.031 pagamentos. "O bilhete do Seguro DPVAT é o
documento que comprova o pagamento do seguro. A Seguradora Líder é a
responsável por confeccionar e fornecer os formulários de ambos os
certificados aos Detrans, que personalizam e entregam os documentos aos
proprietários dos veículos", informou a seguradora.
A taxa paga por cada proprietário de veículo pelo papel, segundo a
Seguradora, é de R$ 4,15. Ou seja, a emissão e distribuição dos bilhetes
neste ano, no Ceará, já custaram mais de R$ 6,85 milhões. A emissão e a
cobrança da apólice do bilhete foram fixadas em 2009, quando custava R$
3,90, e passou por reajuste em 2011 por meio de resolução do Conselho
Nacional de Seguros Privados (CNSP).
Obrigatório
O documento, de porte obrigatório para todos os condutores, é
utilizado pelos Departamentos Estaduais de Trânsito para a impressão
personalizada de informações sobre o veículo, como Registro Nacional de
Veículos Automotores (Renavam), a placa, o chassi, as cores e o modelo.
No verso da folha, constam as informações gerais sobre o seguro
obrigatório e de como acioná-lo em caso de acidente.
A reportagem questionou quem deve ficar responsável pelos bilhetes ao
Ministério da Economia, que encaminhou a demanda para a
Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão fiscalizador do
assunto. No entanto, não recebeu retorno até o fechamento desta edição. O
Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) também foi
procurado pelo Sistema Verdes Mares, mas não emitiu posicionamento sobre
a emissão dos documentos.
Mudanças
Antes da revogação, 45% do valor do prêmio do seguro eram destinados
ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), para custeio da assistência
médico-hospitalar às vítimas de acidentes de trânsito. Outros 5% iam ao
Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para aplicação em programas
destinados à prevenção de acidentes de trânsito no País.
O Governo Federal afirmou que, no caso das despesas médicas e
suplementares, não haverá prejuízo, porque "há atendimento gratuito e
universal na rede pública" através do Sistema Único de Saúde (SUS). Já o
INSS fornece a cobertura do auxílio-doença, aposentadoria por
invalidez, auxílio-acidente e de pensão por morte. O Governo ressalta
que, quando o seguro foi criado, nenhuma dessas políticas sociais estava
vigente.
Além disso, garante que a extinção do DPVAT não afetará o orçamento
do SUS porque os R$ 957 milhões estimados que seriam repassados ao Fundo
Nacional de Saúde serão compensados com acréscimo de receita na conta
do Tesouro Nacional em 2020, no valor de R$ 1,25 bilhão.
Em nota, quando a mudança foi anunciada, a Susep declarou que há
expectativa de que, com o desenvolvimento do setor de seguros,
"espera-se que o próprio mercado ofereça coberturas adequadas para
proteção dos proprietários de veículos, passageiros e pedestres, tal
como seguros facultativos de responsabilidade civil e acidentes
pessoais".
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