A primeira medida do Governo Federal sob mandato do presidente Jair
Bolsonaro voltada exclusivamente para o Nordeste, o Plano de Ação para o
Nordeste (AgroNordeste), foi lançada ontem (11), em Fortaleza. Criado
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o
projeto deve alavancar a produção agropecuária cearense em cerca de 35%
já no primeiro ano de atuação, de acordo com a previsão do
superintendente do Mapa no Estado e líder do comitê do AgroNordeste no
Ceará, Neto Holanda.
Nesta primeira etapa, prevista para acontecer entre 2019 e 2020, 37
municípios localizados no Vale do Jaguaribe e nos sertões de Crateús e
Inhamuns serão atendidos, beneficiando mais de 4 mil pequenos e médios
produtores.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faec),
Flávio Saboya, destaca que os produtores já podem se organizar para
buscar o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), braço educativo
da Faec no Estado, para conseguir a inclusão no AgroNordeste.
Atuação
Sobre o plano geral do programa, Holanda afirma que todas as cadeias
produtivas poderão ser beneficiadas. “Mas, pela característica das duas
regiões cearenses escolhidas para essa primeira etapa, os projetos
pioneiros desenvolvidos abrangerão ovinocaprinocultura e apicultura, na
região dos Inhamuns, e fruticultura e produção de camarão no Vale do
Jaguaribe”, ressalta.
Holanda ainda destaca que a metodologia a ser aplicada será
construída de forma participativa com representantes das cadeias
produtivas. “Nós temos uma metodologia geral, mas nosso modelo de gestão
é a compartilhada. Queremos ouvir os produtores para saber quais os
principais gargalos e montar o modelo de trabalho de forma conjunta”.
Dificuldades
Ele detalha, também, as principais dificuldades apresentadas pelo
agronegócio cearense que têm atrapalhado o desenvolvimento do setor.
“Vamos atuar nas feridas que nós temos há muito tempo: assistência
técnica, extensão rural, assistência gerencial, e empreendedorismo.
Vamos difundir essas ações que, hoje, o Governo Federal dispõe para que
esses produtores possam crescer e aumentar a produção”, aponta Holanda.
Um dos caminhos para esse desenvolvimento, segundo ele, é a
participação efetiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa). “Ela está saindo de uma área de pesquisa mais nucleada para
uma mais extensiva. Eu tenho a participação intensiva da Embrapa agora
no desenvolvimento de novas tecnologias para esses produtores”,
acrescenta.
Integração
O diretor-geral do AgroNordeste, Danilo Forte, destaca que o projeto
visa a integração da produção agropecuária do Ceará com o Nordeste e com
o Brasil. “Para isso, vários desafios precisam ser cumpridos. A partir
da assistência técnica, iremos garantir a maior produtividade e
qualidade dos produtos, bem como a inserção desses itens no mercado
nacional e internacional”, prevê.
Ele explica que não será distribuído dinheiro aos produtores, mas,
sim, dada a assistência necessária para que os negócios se consolidem.
“É da competência do comitê regional analisar as demandas e os recursos
necessários para o desenvolvimento de cada projeto. Parte desses
recursos virá do orçamento da União e parte de financiamentos,
principalmente do Banco do Nordeste”, esclarece.
“Em todo o Nordeste, o programa já mobiliza cerca de R$ 8 bilhões,
mas não é possível estimar quanto irá para cada Estado, pois depende da
demanda”, completa.
Contudo, o presidente do BNB, Romildo Rolim, pontua que não serão
criadas novas linhas de financiamento voltadas para os participantes do
AgroNordeste. “Neste primeiro momento, nós iremos atuar em etapas
antecedentes ao crédito, preparando a cadeia produtiva com ações de
capacitação, assistência técnica, e organizando a comercialização em
grupo, levando conectividade”. O Banco do Brasil também será uma das
instituições financiadoras.
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