O piloto Felipe Ramos Morais alega que foi sequestrado e torturado
por homens subordinados a Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro', um
mês antes das mortes dos principais líderes da facção criminosa Primeiro
Comando da Capital (PCC), Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do
Mangue', e Fabiano Alves de Sousa, o 'Paca', ocorridas em fevereiro de
2018, em Aquiraz, no Ceará. Felipe Ramos Morais foi denunciado como um
dos dez responsáveis pelas execuções, mas nega as acusações.
Segundo as investigações, Wagner Ferreira foi responsável por
orquestrar as mortes de 'Gegê do Mangue' e 'Paca', mas acabou morto dias
depois em São Paulo.
A tortura sofrida por Felipe foi relatada em um Boletim de Ocorrência
(B.O.) - 359/2018 -, registrado no dia 13 de janeiro de 2018, na
Delegacia de Polícia de Guarujá, em São Paulo. Ele foi encontrado na rua
desacordado e levado para o Hospital Ana Costa, na mesma cidade. Por se
tratar de um espancamento, uma equipe da Polícia Militar foi acionada.
Sem poder informar que havia sido atacado por homens do PCC, ele
afirma que disse aos PMs que três homens o abordaram na Rua Doutor Júlio
Prestes de Albuquerque, na Cidade Atlântica, no Guarujá, tomaram seu
celular e o espancaram. No entanto, conforme uma fonte ligada à defesa,
os motivos do espancamento foram outros.
Felipe Ramos afirma que foi sequestrado e torturado por
comparsas de Wagner 'Cabelo Duro', acusado das mortes de 'Gegê do
Mangue' e 'Paca'
Felipe havia avisado a Wagner que não pilotaria mais para ele e que
iria embora para Goiânia. Diante da negativa de Felipe de continuar
trabalhando para Wagner, o líder do PCC teria ordenado que seus
comparsas "dessem um aviso".
Com lesões nas costas, pernas, dedos e cabeça, ainda com sequelas e
se recuperando da "surra", ele recebeu ordens de 'Cabelo Duro' de que
faria um voo para o Ceará. No dia 15 de fevereiro, ele levou Wagner, os
comparsas e 'Gegê' e 'Paca' para o palco de duas mortes que mexeriam com
a hierarquia da principal facção criminosa do País.
Delação
Preso no dia 14 de maio do ano passado, em Goiás, Felipe foi acusado
de participação no duplo homicídio. Desde então, ele iniciou as
tratativas para firmar uma delação premiada com as autoridades. O piloto
teria assinado dois termos de colaboração com o Ministério Público
(MPCE) e, em compensação, não foi acusado pelo duplo homicídio, na
primeira denúncia, conforme o habeas corpus impetrado pela defesa.
Entretanto, os juízes da Comarca de Aquiraz devolveram a peça acusatória
para aditamento da denúncia, e Felipe passou a ser réu também pelos
assassinatos.
Em carta escrita dentro do presídio federal, que foi digitalizada e
enviada à reportagem, o piloto reclama que foi vítima de uma "aberração
jurídica". Felipe afirma que na delação firmada com o Ministério
Público, ele seria solto imediatamente e teria redução de 60% da pena em
caso de condenação.
O piloto alega que utilizaram o depoimento dele, mas não cumpriram o
acordo. "O acordo foi assinado e gravado, mas não foi homologado, e o
seu objeto principal, no caso o depoimento, foi usado como base para
denúncia neste processo", diz o trecho da carta assinada por Felipe no
último dia 20. Por fim, sustenta que está há cinco meses esperando o
julgamento do habeas corpus.
O Ministério Público do Ceará afirmou "que não efetivou nenhum acordo
de colaboração premiada homologada pela Justiça com o piloto". Informou
ainda que a não inclusão dele na 1ª denúncia apresentada sobre o caso
não tem relação com a suposta negociação de delação premiada".
O piloto Felipe Ramos Morais alega que firmou acordo de delação
premiada, mas ainda não recebeu os benefícios prometidos. O MP nega que a
colaboração tenha sido homologada pela Justiça.
+ Réus foragidos
Gilberto Aparecido - 'Fuminho'
Erick Machado Santos
Tiago Lourenço de Sá de Lima
André Luís da Costa Lopes
Ronaldo Pereira Costa
Renato Oliveira Mota
Maria Jussara Santos Réus presos
Carlenilto Pereira Maltas
Felipe Ramos Morais
Jefte Ferreira Santos
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