Pelo menos a metade dos deputados federais
cearenses ainda não sabe como se comportará na votação da reforma da
Previdência. A matéria chegou ontem à Câmara dos Deputados e vai começar
a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para, depois,
passar pela Comissão Especial para discussão de mérito. É lá que a
bancada cearense terá a oportunidade de emendar o texto patrocinado pelo
Palácio do Planalto.
Dos 22 deputados cearenses, 11 ainda não tiveram acesso ao conteúdo
integral do projeto e, por isso, dizem não ter posição formada. É o caso
de Roberto Pessoa (PSDB), Moses Rodrigues (MDB), Vaidon Oliveira
(Pros), Capitão Wagner (Pros), Dr. Jaziel (PR), Júnior Mano (Patriota),
Célio Studart (PV), Idilvan Alencar (PDT), Leônidas Cristino (PDT),
Pedro Bezerra (PTB) e Robério Monteiro (PDT).
"O texto é muito longo, são muitas mudanças. Não tenho opinião
formada", justificou Capitão Wagner. "Não deu tempo analisar. Vou dar
uma olhada com calma", afirmou, por sua vez, Júnior Mano.
Outros parlamentares, no entanto, indicaram posicionamento prévio. Os
pedetistas André Figueiredo e Eduardo Bismarck criticaram pontos da
proposta e argumentaram que votarão contra, caso não haja profundas
modificações na Câmara dos Deputados.
Figueiredo, que é o líder do PDT na Casa, classificou a proposta como
"confusa" e disse que quer utilizar a Comissão Especial para fazer as
"emendas necessárias". Bismarck citou contradições jurídicas no projeto e
mostrou preocupação com a classe mais pobre do País. "A gente precisa,
sim, rever a Previdência, mas não esta", afirmou.
Assim como os pedetistas, os deputados José Guimarães (PT), AJ
Albuquerque (PP), José Airton (PT), Denis Bezerra (PSB), Luizianne Lins
(PT), Mauro Filho (PDT) e Domingos Neto (PSD) se posicionaram contra o
projeto. Airton disse que a proposta "é uma reforma extremamente
perversa e cruel contra a classe trabalhadora, sobretudo com a população
que ganha menos", disse. Para Luizianne, "trabalhadores informais serão
os mais prejudicados com a reforma de Bolsonaro".
O governista Heitor Freire (PSL), por outro lado, se posicionou a
favor do projeto. Segundo o parlamentar, a defesa da reforma tem o
objetivo de evitar que o País enfrente um colapso financeiro.
"Infelizmente, o Brasil precisa dessa reforma, é algo essencial para o
Brasil não virar uma nova Grécia e não conseguir mais pagar as contas.
Se essa reforma não for aprovada, o Brasil quebra", afirmou. O deputado
Genecias Noronha (SD) também foi consultado pela reportagem, mas não
informou posicionamento até o fechamento desta matéria.
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