Em meio a impasse no Congresso, Donald Trump fará discurso sobre o Estado da União
Com a paralisação parcial mais longa da história do governo dos EUA em suspenso, o presidente Donald Trump faz, à 0h desta quarta-feira (6), seu discurso sobre o Estado da União.
O evento, que ocorre todos os anos no Congresso norte-americano, estava
originalmente marcado para 29 de janeiro. No entanto, a presidente da
Câmara, a democrata Nancy Pelosi – uma das líderes da oposição a Trump, desconvidou o presidente alegando que o "shutdown" tornaria o discurso pouco seguro.
Ou seja, Trump só conseguiu remarcar o discurso com o término da paralisação parcial do governo. Mas o "shutdown" ainda pode voltar caso governo e oposição não cheguem a um acordo sobre a segurança na fronteira com o México, assunto que deve estar na pauta do discurso do Estado da União.
Trump tem repetido que as negociações a respeito do financiamento do
muro que quer levantar na fronteira mexicana, motivo de discórdia com os
democratas e do "shutdown", foram uma perda de tempo, e afirmou na
sexta-feira (1º), que na sua fala no Congresso revelará mais detalhes
dos planos que tem a respeito. Ele voltou a sugerir que poderia declarar
emergência para começar a construir um muro de fronteira.
O governo tem fundos para continuar operando até 15 de fevereiro.
Pelosi, a presidente da Câmara, explicou que um comitê do Senado precisa
concluir até sexta-feira seus trabalhos para que uma nova proposta
possa ser votada em tempo hábil para evitar nova paralisação. Após
reuniões dos partidos marcadas para esta terça (5), se saberá se houve
algum progresso nas negociações.
É o discurso do presidente que ocorre todos os anos em uma sessão
conjunta do Congresso americano. Nele, o chefe de Estado e de governo
presta esclarecimentos aos parlamentares, militares e integrantes da
Suprema Corte sobre a atual situação dos EUA e os planos e prioridades
do ano.
O primeiro discurso sobre o Estado da União foi pronunciado por George Washington em 8 de janeiro de 1790.
Tradicionalmente, o presidente norte-americano pede esforços a
deputados e senadores para aprovar projetos que o chefe de governo
acredita ser importante. No ano passado, no primeiro discurso do
mandato, Trump pediu que os congressistas aprovassem planos para infraestrutura e imigração.
Por que o discurso deste ano é importante?
Porque Trump falará aos congressistas em meio a um impasse orçamentário
que deu origem ao "shutdown" entre dezembro e janeiro. Neste ano,
portanto, o presidente deve insistir aos congressistas – principalmente
da oposição – que endureçam as políticas migratórias na fronteira com o
México.
No ano passado, Trump incluiu na proposta de orçamento cerca de US$ 5,7
milhões para a obra do muro, uma das promessas de campanha do
republicano.
Como a oposição se negou a aprovar o plano orçamentário com a verba
para o muro, o governo ficou parcialmente sem dinheiro até que um acordo
fosse fechado em 25 de janeiro, após mais de um mês de paralisação.
Nesse acordo, Trump deu até 15 de fevereiro para que democratas e
republicanos chegassem a um consenso sobre a questão da segurança na
fronteira com o México. O presidente, entretanto, já reconheceu que
duvida do sucesso desse acordo, o que acarretaria em um novo "shutdown".
Além do vice-presidente e do parlamentares da Câmara e do Senado,
secretários do governo e militares de alta patente assistirão ao
discurso de Trump no Congresso. Juízes da Suprema Corte também
participam.
Haverá, também, a presença de convidados dos parlamentares, que
geralmente passam alguma mensagem ao presidente. Os oposicionistas, por
exemplo, convidam pessoas que tenham sido negativamente afetadas por
medidas de governo ou acidentes ocorridos ao longo do mandato.
Segundo a CNN, essas serão algumas das pessoas convidadas pelos congressistas democratas:
- Controladora de tráfego aéreo que ficou sem receber no "shutdown" e que teve a casa destruída em um dos incêndios florestais da Califórnia em 2017;
- Mãe e filha imigrantes ilegais separadas na fronteira durante a política de tolerância zero de Trump na fronteira com o México, no ano passado;
- Militar transgênero – o governo Trump pretende proibir pessoas trans de servirem às Forças Armadas;
- Imigrantes ilegais que já trabalharam na casa ou em alguma empresa de Trump.
Os republicanos, por outro lado, convidam pessoas que representem
políticas defendidas por Trump. Carlos Vecchio, representante de Juan
Guaidó, é um deles. Veja outros exemplos:
- Representante de funcionários da patrulha na fronteira com o México;
- Viúva de militar morto no Afeganistão – de onde Trump planeja retirar as tropas;
- Nadia Murad, vencedora do Nobel da Paz e ativista yazidi dos direitos humanos e sobrevivente do Estado Islâmico – grupo o qual Trump afirma estar próximo de derrotar;
- Policial vítima de overdose acidental de fentanila durante uma apreensão da droga.
Fonte, G1

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