Ex-deputado federal Antônio Delfim Netto é alvo de busca e apreensão na 49ª fase da lava jato
Um dos alvos da Polícia Federal (PF) é a casa de Antônio Delfim Netto,
ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e ex-deputado
federal.
Ele é suspeito de receber 10% dos valores que as empresas teriam pago
para serem beneficiados pelo contrato. Os outros 90% seriam divididos
entre PMDB e PT.
Até o momento, conforme o Ministério Público Federal (MPF), já foram
rastreados pagamentos, em valores superiores a R$ 4 milhões de um total
estimado em R$ 15 milhões, pelas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez,
Odebrecht, OAS e J. Malucelli.
Todas elas são integrantes do Consórcio Construtor de Belo Monte, em
favor de pessoas jurídicas relacionadas a Antônio Delfim Netto, por meio
de contratos fictícios de consultoria.
Delfim Netto na Lava Jato
O nome do ex-ministro apareceu nas investigações da Lava Jato na
delação premiada do ex-executivo da Andrade Gutierrez Flávio Barra. O
delator disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que pagou R$ 15
milhões de propina a Netto, em 2010.
O dinheiro, de acordo com Barra, foi uma gratificação por ele ter
ajudado a montar consórcios de empresas que disputaram licitações para
obras da Usina Belo Monte.
Ouvido pela PF em 2016, o Delfim Netto afirmou que que recebeu R$ 240 mil da Odebrecht por uma consultoria.
O advogado dele, Maurício Leite, afirmou na ocasião que a defesa nunca
teve acesso a essas informações e que refuta veementemente qualquer
questionamento da vida profissional do economista.
Ainda conforme a defesa, Delfim Netto sempre prestou consultoria na
área econômica e sempre recolheu todos os impostos de acordo com a lei.
49ª fase
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há fortes indícios de que o
consórcio Norte Energia foi indevidamente favorecido por agentes do
governo federal para vencer o leilão destinado à concessão da Usina
Hidrelétrica de Belo Monte.
Posteriormente, ainda de acordo com o MPF, mediante acordos de
corrupção, a Norte Energia direcionou o contrato de construção da usina a
outro consórcio, formado por empresas que deveriam efetuar pagamentos
de propina em favor de partidos políticos e seus representantes, no
percentual de 1% do valor do contrato e seus aditivos.
As investigações envolvendo o esquema de corrupção originaram-se de
leniências firmadas pelo MPF com as empresas Andrade Gutierrez e Camargo
Corrêa, assim como acordos de colaboração premiada celebrados com os
executivos e homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão
do envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro.
Assim, parte das investigações permanece em curso na Procuradoria-Geral
da República (PGR), em Brasília, e a apuração dos fatos ilícitos
relativos a pessoas sem prerrogativa de foro foi remetida à 13ª Vara
Federal de Curitiba.
Conforme o MPF, durante a investigação, foram realizadas diligências,
como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros
telefônicos, que revelaram a existência de estreitos vínculos entre os
investigados e corroboraram com os ilícitos narrados pelos
colaboradores.
Também compõem o material probatório as colaborações premiadas de
executivos da Odebrecht, igualmente remetidas pelo STF, acompanhadas de
diversos documentos que reforçam os indícios de prática dos fatos
criminosos.
Fonte, G1

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