Em relação a 2016 assassinatos crescem 91% no Ceará em junho
A cada mês, pioram os números relacionados aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) - homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, no Ceará. Na tarde da sexta-feira (7), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apresentou as estatísticas do acumulado do primeiro semestre de 2017: de janeiro a junho aconteceram 2.299 assassinatos no Estado. O número é 31,9% maior que em igual período de 2016.
O mês mais violento deste ano foi junho: 474 mortes no Estado, o que representa um aumento de 91% em relação a junho de 2016. Só em Fortaleza foram 197 CVLIs, comparado a igual mês do ano passado, na Capital, o crescimento no número de assassinatos foi de 217,7%. Este é o período mais violento desde que Camilo Santana assumiu o Governo do Ceará.
Os números da SSPDS também mostram que nenhuma região do Estado reduziu os CVLIs. No Interior Norte, a variação foi de 27,4%; no Interior Sul, houve aumento de 6,9%, sendo esta a localidade de menor acréscimo. Para o secretário da SSPDS, André Costa, o pico nos índices da Capital se deve ao poder concentrado das facções em Fortaleza.
"No primeiro semestre do ano passado não havia esse acirramento entre as facções. Isso teve início no Amazonas e se refletiu aqui. É um momento difícil para todos nós, para todas as polícias. Vemos que a Polícia vem atuando mais do que nunca e esperamos mais participação da população. Esse primeiro semestre foi recorde na apreensão de armas, drogas e na prisão de homicidas", disse André Costa.
Outro problema que vem sendo enfrentado pelos cearenses é o furto. Na coletiva, a SSPDS informou que em 2017 já foram registrados por meio de Boletim de Ocorrência 28.867 crimes deste tipo. Só em junho, foram 5.235 casos, 9,9% a mais do que em igual período de 2016.
Impunidade
À luz do dia e ao ar livre os criminosos vêm mostrando que não se intimidam pela presença de testemunhas, quando decidem matar. Não importa que as vias públicas estejam ocupadas, desde que se consiga eliminar o desafeto. Segundo o secretário, diferente do que acontecia antes, agora, a maioria dos últimos homicídios vem acontecendo no período da tarde.
"Antes, os homicídios eram mais pela madrugada. Agora vemos que é mais no fim da tarde, às vezes, início da noite. Então readequamos. Estamos sempre acompanhando essa mancha criminal e mexendo no que é necessário. A Polícia tem sua missão e já sabe o que deve desempenhar", falou Costa.
A persistência do acréscimo de crimes mostra que as estratégias que vêm sendo adotadas pelos que estão à frente da Segurança Pública do Estado não estão surtindo os efeitos desejados. Já para André Costa, a sensação de impunidade dentre os homicidas é a principal motivação para a recorrência dos crimes.
"Não há problema no nosso planejamento, mas é difícil só com policiamento nas ruas evitar a morte desse pessoal. Não é possível ter um policial a cada esquina. É preciso melhorar a sensação de impunidade que permeia muitos desses criminosos. Temos várias situações em que uma pessoa é presa por homicídio e dias depois está nas ruas. Fica difícil convencer essa pessoa a não cometer mais homicídios. A impressão que fica é que eles vão sair impunes e não vão cumprir penas", pontuou o titular da SSPDS.
50% das vítimas seriam traficantes
Com a recorrência no alto número de assassinatos, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deu início a um levantamento para contabilizar quantos dos mortos tinham envolvimento com o tráfico. A estatística da DHPP revelou que, dos 474 mortos no mês de junho de 2017, 50% eram envolvidos com a negociação de drogas.
Na coletiva de imprensa da última sexta-feira (7), o secretário de Segurança Pública, André Costa, revelou que a disputa por território e a cobrança de dívidas vêm fazendo com que muitos jovens paguem com a própria vida. Em maio, a porcentagem de assassinados envolvidos com o tráfico foi ainda maior: 65%.
"Os números têm base nas informações colhidas com amigos e familiares ainda no local do crime. Geralmente, quem conhece a vítima sabe dizer se ela tinha relação com o tráfico. Esses números tendem a aumentar à medida que a investigação consegue provas sobre a motivação do crime", afirmou Costa.
O professor e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Sá, lembra que, na maioria das vezes, os homicídios estão interligados. Para ele, há um circuito de vingança entre os traficantes.
Leonardo Sá ressalta que a DHPP tem responsabilidade direta para que a sensação de impunidade entre os homicidas tenha chegado a tanto. De acordo com o estudioso, a "DHPP alimenta os homicídios do presente quando peca em não resolver homicídios do passado".
"Os homicídios que ficam impunes geram mais violência. É como dar uma licença para matar alguns. Esse problema já vem de governos anteriores. Se o Estado não consegue realizar suas obrigações, ele dá brecha para situações onde explodem os conflitos", disse Leonardo Sá.
Ainda de acordo com o professor, os acirramentos que resultam em mortes vão além da disputa pelo tráfico. Sá lembra que a sensação de impunidade afeta até mesmo os conflitos interpessoais. "Nem todos que matam já são conectados ao mundo do crime. Até em uma briga no trânsito as pessoas se matam por terem a certeza que aquilo não dará em nada", reiterou o pesquisador do LEV.
Fonte, DN
O mês mais violento deste ano foi junho: 474 mortes no Estado, o que representa um aumento de 91% em relação a junho de 2016. Só em Fortaleza foram 197 CVLIs, comparado a igual mês do ano passado, na Capital, o crescimento no número de assassinatos foi de 217,7%. Este é o período mais violento desde que Camilo Santana assumiu o Governo do Ceará.
Os números da SSPDS também mostram que nenhuma região do Estado reduziu os CVLIs. No Interior Norte, a variação foi de 27,4%; no Interior Sul, houve aumento de 6,9%, sendo esta a localidade de menor acréscimo. Para o secretário da SSPDS, André Costa, o pico nos índices da Capital se deve ao poder concentrado das facções em Fortaleza.
"No primeiro semestre do ano passado não havia esse acirramento entre as facções. Isso teve início no Amazonas e se refletiu aqui. É um momento difícil para todos nós, para todas as polícias. Vemos que a Polícia vem atuando mais do que nunca e esperamos mais participação da população. Esse primeiro semestre foi recorde na apreensão de armas, drogas e na prisão de homicidas", disse André Costa.
Outro problema que vem sendo enfrentado pelos cearenses é o furto. Na coletiva, a SSPDS informou que em 2017 já foram registrados por meio de Boletim de Ocorrência 28.867 crimes deste tipo. Só em junho, foram 5.235 casos, 9,9% a mais do que em igual período de 2016.
Impunidade
À luz do dia e ao ar livre os criminosos vêm mostrando que não se intimidam pela presença de testemunhas, quando decidem matar. Não importa que as vias públicas estejam ocupadas, desde que se consiga eliminar o desafeto. Segundo o secretário, diferente do que acontecia antes, agora, a maioria dos últimos homicídios vem acontecendo no período da tarde.
"Antes, os homicídios eram mais pela madrugada. Agora vemos que é mais no fim da tarde, às vezes, início da noite. Então readequamos. Estamos sempre acompanhando essa mancha criminal e mexendo no que é necessário. A Polícia tem sua missão e já sabe o que deve desempenhar", falou Costa.
A persistência do acréscimo de crimes mostra que as estratégias que vêm sendo adotadas pelos que estão à frente da Segurança Pública do Estado não estão surtindo os efeitos desejados. Já para André Costa, a sensação de impunidade dentre os homicidas é a principal motivação para a recorrência dos crimes.
"Não há problema no nosso planejamento, mas é difícil só com policiamento nas ruas evitar a morte desse pessoal. Não é possível ter um policial a cada esquina. É preciso melhorar a sensação de impunidade que permeia muitos desses criminosos. Temos várias situações em que uma pessoa é presa por homicídio e dias depois está nas ruas. Fica difícil convencer essa pessoa a não cometer mais homicídios. A impressão que fica é que eles vão sair impunes e não vão cumprir penas", pontuou o titular da SSPDS.
50% das vítimas seriam traficantes
Com a recorrência no alto número de assassinatos, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deu início a um levantamento para contabilizar quantos dos mortos tinham envolvimento com o tráfico. A estatística da DHPP revelou que, dos 474 mortos no mês de junho de 2017, 50% eram envolvidos com a negociação de drogas.
Na coletiva de imprensa da última sexta-feira (7), o secretário de Segurança Pública, André Costa, revelou que a disputa por território e a cobrança de dívidas vêm fazendo com que muitos jovens paguem com a própria vida. Em maio, a porcentagem de assassinados envolvidos com o tráfico foi ainda maior: 65%.
"Os números têm base nas informações colhidas com amigos e familiares ainda no local do crime. Geralmente, quem conhece a vítima sabe dizer se ela tinha relação com o tráfico. Esses números tendem a aumentar à medida que a investigação consegue provas sobre a motivação do crime", afirmou Costa.
O professor e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Sá, lembra que, na maioria das vezes, os homicídios estão interligados. Para ele, há um circuito de vingança entre os traficantes.
Leonardo Sá ressalta que a DHPP tem responsabilidade direta para que a sensação de impunidade entre os homicidas tenha chegado a tanto. De acordo com o estudioso, a "DHPP alimenta os homicídios do presente quando peca em não resolver homicídios do passado".
"Os homicídios que ficam impunes geram mais violência. É como dar uma licença para matar alguns. Esse problema já vem de governos anteriores. Se o Estado não consegue realizar suas obrigações, ele dá brecha para situações onde explodem os conflitos", disse Leonardo Sá.
Ainda de acordo com o professor, os acirramentos que resultam em mortes vão além da disputa pelo tráfico. Sá lembra que a sensação de impunidade afeta até mesmo os conflitos interpessoais. "Nem todos que matam já são conectados ao mundo do crime. Até em uma briga no trânsito as pessoas se matam por terem a certeza que aquilo não dará em nada", reiterou o pesquisador do LEV.
Fonte, DN


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