Caso Lewdo: Justiça mantém decisão de levar a júri popular mulher que matou filho envenenado

Uma das histórias mais cheias de reviravoltas nos últimos tempos no Estado, o 'caso Lewdo' ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (3), quando a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) negou recurso da defesa de Cristiane Renata Coelho Severino, acusada de matar o filho envenenado e tentar incriminar o marido pelo crime, e manteve a decisão de levá-la a júri popular. O caso aconteceu em novembro de 2014 e ganhou grande repercussão no Ceará.

Segundo laudos periciais, Cristiane foi a responsável pela morte de Lewdo Ricardo Coelho Severino, seu filho autista, na época com 9 anos, que foi envenenado após ingerir "chumbinho" em uma mamadeira com sorvete. A ré também é acusada de tentar matar o ex-marido, o subtenente do Exército Brasileiro Francileudo Bezerra Severino, que sobreviveu ao evenenamento e foi acusado por ela de ser o autor do crime. Cristiane chegou a simular uma agressão física para incriminar o então esposo.

Na decisão do TJCE, o relator do caso, desembargador Haroldo Correia de Oliveira Máximo, ratifica que a “acusação, com base em exames periciais, vistorias e simulações, fornece indícios suficientes de autoria capazes de remeter e recorrente [acusada] à submissão ao júri popular”.  Em outubro de 2015, a juíza Daniela Lima da Rocha, em respondência pela 3ª Vara do Júri de Fortaleza, já havia determinado que Cristiane fosse julgada pelo Tribunal do Júri. A defesa da ré, porém, ingressou com recurso em sentido estrito para reverter a decisão, alegando 'não haver indícios suficientes de autoria para a pronúncia'.

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Com a decisão do TJCE, contudo, a acusada deve, de fato, ir à júri popular em breve. Presa desde maio de 2015, ela foi denunciada por homicídios triplamente qualificados (um consumado e outro tentado). Em ambos, as qualificadoras são: motivo fútil, emprego de meio cruel (veneno) e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Relembre a cronologia do caso
No dia 11 de novembro de 2014, a polícia recebeu um chamado desesperado de Cristiane Renata Coelho, dizendo que havia sido espancada e que o filho mais velho, Lewdo Ricardo, havia sido morto envenenado no Conjunto Napoleão Viana, bairro Dias Macêdo. Na ocasião, ela apontou o marido, Francileudo Bezerra, como autor dos crimes, ressaltando que ele tentara suicídio após o ocorrido, também por envenenamento.

Após a chegada da polícia ao local, foi constatado que Francileudo ainda estava vivo. Ele chegou a ser internado em estado de coma e preso em flagrante pela morte do filho. Ao acordar do coma, porém, duas semanas após o suposto crime, o então subtenente do Exército disse "não lembrar" do ocorrido e entrou em desespero ao ser informado da morte do filho. Posteriormente, a defesa de Francileudo pediu o relaxamento de sua prisão, o que foi concedido pela Justiça.

Com muitas dúvidas sobre o caso e informações que não batiam, a polícia promoveu a reconstituição do crime em 22 de dezembro de 2014. Na época, uma linha de investigação já apontava para Cristiane como autora do crime, o que gerou gritos de "assassina" por parte de populares que acompanhavam a operação. O inquérito do caso foi entregue incompleto no dia 27 de janeiro de 2015, já que diversos laudos periciais não chegaram a tempo de serem anexados no processo.
Em abril de 2015, laudos periciais, enfim, confirmaram que Cristiane era a verdadeira autora do crime. Segundo a Perícia, a criança foi envenenada primeiro, após ela colocar 'chumbinho' no sorvete de morango que o filho gostava. Depois disso, Cristiane deu o popular 'Boa noite Cinderela' no marido, colocando Rivotril em uma taça de vinho que ele tomou. Nas taças seguintes ela colocou veneno. "O militar foi envenenado gradativamente naquela noite", informou o laudo pericial.

Com a confirmação da autoria do crime, Cristiane foi presa em maio de 2015, após voltar de uma viagem a Recife, cidade onde nasceu. Encaminhada ao Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, onde permanece até o momento, ela foi condenada a ir a júri popular em outubro daquele ano, mas sua defesa constestou a decisão. Agora, com TJCE confirmando a decisão, é provável que a ré, enfim, encare o julgamento do Tribunal do Júri.

"Tenho a consciência e a certeza de que Deus me deixou vivo para que eu pudesse buscar Justiça pelo que ela fez ao meu filho. Se eu a perdoar, estarei negando a existência do meu filho. A odeio de todas as formas possíveis. Para mim, ela nem ser humano é. Nunca vou perdoar o que ela fez", afirmou Francileudo um ano após o crime.

Fonte, DN

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