PF investiga lavagem de dinheiro internacional

A Polícia Federal deflagrou, ontem, a segunda fase da Operação Perfídia contra um esquema especializado em lavagem de dinheiro internacional, blindagem patrimonial e evasão de divisas com ramificações em pelo menos cinco países. A PF informou que cerca de 200 policiais federais cumpriram 103 mandados judiciais, sendo 55 de busca e apreensão, recolhimento de aparelhos celulares, 46 de condução coercitiva e dois de prisão temporária.

A segunda fase da operação envolve cifras bilionárias. Em uma única transação bancária, no Distrito Federal, os valores superaram US$ 5 bilhões.
As ações se concentraram no Distrito Federal, mas também na Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.

As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de um jordaniano na imigração do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, no mês de agosto de 2016.

O jordaniano desembarcou da França em Brasília com passaporte brasileiro obtido com documentos falsos. Uma primeira busca foi feita em dezembro e, a partir da análise do material apreendido, descobriu-se que o esquema era muito maior, envolvendo lavagem de dinheiro internacional e movimentação financeira muito grande. A PF investiga se integrantes do esquema realizavam operações de câmbio não autorizadas, além de dissimularem a aquisição de imóveis de alto valor e promover a evasão de divisas.

Para isso, eles teriam usado "laranjas" e falsificado documentos públicos, especialmente certidões de nascimento emitidas em cartórios no interior do Brasil.
O denominado "núcleo duro" do grupo, formado por proprietários de postos de gasolina, agências de turismo, lotéricas, entre outros estabelecimentos, era responsável pela aquisição fraudulenta de imóveis e ativos para fins de lavagem de dinheiro.

Somente em uma das operações de compra e venda identificadas pela PF o negócio chegou a R$ 65 milhões. Segundo a PF, o esquema contava ainda com o apoio de advogados, contadores, serventuários de cartórios, empregados de concessionárias de serviços públicos e até de um servidor da Polícia Federal.

Doleiro
O nome da operação é uma referência à traição e deslealdade dos integrantes da organização criminosa com o País. A primeira fase da Perfídia foi aberta em dezembro do ano passado.
Conforme decisão do juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal, a operação deverá ser mantida sob sigilo por 24 horas. A medida visa garantir o cumprimento de todos os mandados.

Ontem, a Polícia Federal e o doleiro Carlos Chater voltaram a se encontrar, quando o doleiro foi conduzido coercitivamente.
Além dele, a prima, Cláudia Chater, é alvo de mandado de prisão no âmbito da Perfídia.
Chater é o dono do famoso Posto da Torre, em Brasília, onde também funciona uma lavanderia e uma casa de câmbio. O local foi alvo da 1ª fase e serviu de inspiração para o nome da Lava-Jato. A empresa do doleiro foi usada para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, dizem os investigadores.

Fonte, DN

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