Cabral diz que Pezão tocou obra do Maracanã
O atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi citado
duas vezes no depoimento do ex-governador Sérgio Cabral, prestado à
Polícia Federal (PF) e protocolado na segunda-feira (21), na Justiça
Federal do Paraná. Nos depoimentos, Cabral respondeu que a reforma no
estádio do Maracanã começou quando o atual governador, Luiz Fernando
Pezão, era secretário de Obras do estado. Ele comandou a pasta entre os
anos de 2007 e 2011.
O ex-governador foi preso na última quinta-feira (17) sob a acusação de
comandar um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 224
milhões dos cofres públicos do Rio.
Segundo Cabral, Pezão tinha contato com o empresário Fernando Cavendish e
outros empreiteiros que tratavam com a secertaria de Obras. Cavendish
era o dono da construtora Delta, responsável por parte das obras do
estádio. Ele é acusado de pagar propina para ganhar os contratos e de
lavagem de dinheiro.
Segundo o Ministério Público Federal, Cabral é suspeito de cobrar
proprina de empreiteiras para fechar contratos de obras com o estado. As
principais obras fraudadas são: reforma do Maracanã (custo total de R$
1,5 bilhão), PAC das Favelas (custo de R$ 1,14 bilhão) e Arco
Metropolitano (custo de R$ 1,55 bilhão). Durante o depoimento, ele ainda
se disse indignado com as denúncias e afirmou ter a "consciência
tranquila quanto às mentiras absurdas".
O governador Luiz Fernando Pezão não quis comentar as citações ao nome dele.
Depoimento de Cabral tem 18 páginas
No depoimento, que contém 18 páginas, os procuradores perguntaram se
Cabral conhece alguns dos acusados de fazer parte da organização
criminosa. O ex-governador disse que sempre atendia executivos das
diversas construtoras envolvidas em corrupção e que, às vezes, era
procurado ou até os convocava para o controle de obras, mas que nos
encontros sempre havia outras pessoas, como o titular da pasta, o
secretário de obras.
Os investigadores questionaram Sérgio Cabral sobre a “taxa de oxigênio”
que seria cobrada por Hudson Braga, secretário de Obras em sua gestão. O
ex-governador disse desconhecer tal fato.
Sobre Carlos Miranda, apontado pelos procuradores como o “homem da
mala”, que recolhia o dinheiro da propina, Ségio Cabral diz que é amigo
desde os tempos do colégio. Perguntado se alguma vez Carlos Miranda
efetuou solicitação e recebimento de propinas no nome dele, o
ex-governador disse que nunca solicitou a Carlos Miranda que procedesse
desta forma.
Questionado se Carlos Miranda cuidava de sua contabilidade e pagamentos,
o ex-governador disse que não. Em outro trecho do depoimento, no
entanto, Cabral se contradiz. Ele afirmou que, sim, Miranda o auxiliava
em sua vida pessoal financeira.
Os investigadores perguntaram ainda sobre a Gralc consultoria, empresa
de Miranda, que recebeu incentivos fiscais do estado. A firma é apontada
como central no esquema de lavagem de dinheiro. Sérgio Cabral disse que
diversas outras empresas e segmentos obtiveram incentivos fiscais.
Cabral foi questionado sobre o uso de uma lancha, da família de Paulo
Fernando Magalhães Pinto, tido como laranja de Sérgio Cabral e usado
para ocultar bens, o ex-governador disse que usou a lancha algumas
vezes, mas ressaltou que não possui um barco no condomínio .
No interrogatório, também foi questionada a relação do ex-governador com
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobrás. Sérgio
Cabral disse que nunca teve relação de amizade ou relações privadas com
ele. O interrogado alegou ainda que nunca interviu em questões
relacionadas com a Petrobrás ou com o Comperj.
Uma reforma na casa do ex-governador também foi tema do interrogatório.
Questionado sobre quem efetuou as contratações de obra e mobiliário para
a sua residência, ele disse que não se recorda. Os investigadores
quiseram saber o porquê de notas fiscais relativas à aquisição de
mobiliário foram efetuadas em nome de Sônia. No total, foram mais de R$
100 mil.
Sônia Ferreira Batista é uma assessora do ex-governador, apontada como
parte do esquema de lavagem de dinheiro. O ex-governador afirmou que não
se recorda dos fatos.
Veja as suspeitas contra Ségio Cabral, segundo o MPF:
– O ex-governador é suspeito de chefiar um esquema de desvios em obras
do governo estadual feitas com recursos federais entre 2007 e 2014. Ele
cobraria propina de empreiteiras para fechar os contratos.
– Segundo o MPF, a propina exigida pelo ex-governador era de 5% por
obra, mais 1% da chamada "taxa de oxigênio", que ia para a secretaria de
Obras do governo, comandada na época por Hudson Braga.
– De acordo com os procuradores, Cabral teria recebido "mesada" de R$
350 mil da Andrade Gutierrez por pelo menos um ano. Da Carioca
Engenharia, a "mesada" seria de R$ 200 mil no primeiro mandato, e de R$
500 mil, no segundo.
– Só da Andrade Gutierrez, Cabral teria recebido R$ 2,7 milhões em
espécie por contrato em obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro
(Comperj) entre os anos de 2007 e 2011.
Fonte, G1

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