Em 49% dos casos, famílias conheciam autores do homicídio

Uma pesquisa com 385 famílias e adolescentes que foram vítimas ou autores de violência poderá traçar novos rumos às políticas públicas voltadas à prevenção de homicídios na adolescência. Os números sistematizados que traduzem as respostas coletadas demonstram um abandono da juventude e a naturalização do acesso à arma e da ocorrência da morte. Em 49% dos casos, as famílias das vítimas afirmaram conhecer o autor do crime e, destes, apenas 10% disseram que o assassino foi detido.


Esses e outros dados serão divulgados na sexta-feira, 15, na Assembleia Legislativa. O trabalho foi realizado pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Horizonte, Eusébio, Sobral e Juazeiro do Norte e em oito centros educacionais. Foram realizadas audiências territoriais para escuta das comunidades, grupos focais com agentes públicos e família e seminários temáticos. Abaixo, alguns dos números que serão apresentados:


- 73% dos adolescentes mortos em Fortaleza foram assassinados no próprio bairro

- 67% das mortes foram exibidas em programas policiais

- 53% dos adolescentes assassinados foram ameaçados

- 64% dos jovens tiveram amigos mortos

- Entre os que estão apreendidos, 56% sofreram tentativa de homicídio

- Entre os que foram assassinados, 74% estavam fora da escola há pelo menos seis meses. Entre os apreendidos, esse total é de 64%

- Para 49% dos entrevistados, a Polícia é vista com indiferença

- Para 30% das famílias ouvidas, a Polícia é vista como intimidadora

- 1/3 dos jovens tiveram tios ou primos assassinados

- Em 40% das mortes, se alguma medida fosse tomada após a ameaça, a vida poderia ter sido salva

- Dívida com tráfico, briga de gangue e entre grupos são os principais motivadores das mortes

- A maioria das famílias não cobra a realização de inquérito policial que desvende o assassinato

O Comitê tem o objetivo de compreender o fenômeno da violência entre os jovens – com foco na faixa etária de 10 a 19 anos. Em 2013 foram registradas 883 mortes de adolescentes no Estado, aumentando para 974 no ano de 2014 e para 604 em 2015. O Comitê foi criado a partir da assinatura do protocolo de intenções pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Zezinho Albuquerque, pela vice-governadora Izolda Cela e pelo representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl. É presidido pelo deputado estadual Ivo Gomes (PDT) e tem como relator o deputado Renato Roseno (PSOL).

SERVIÇO
Apresentação da pesquisa sobre homicídios na adolescência
Data: 15 de julho, a partir das 10h30min
Local: Plenário da Assembleia Legislativa do Ceará

Fonte, O Povo

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